Era uma vez uma Menina. Menina não era uma menina qualquer. Ela era mágica. Sua vida era regada de contos de fadas, piruetas e gargalhadas. Menina teve uma infância feliz, os problemas e julgamentos da sociedade não a atingiam.
Quando Menina entrou na adolescência, as cobranças mudaram gradativamente. Seu gosto por fuscas amarelos, caricaturas de meninas valentes e outras meninas começou a aflorar. Menina era muito inteligente e a pessoa mais altruísta de todas. Ela pensava sempre nos outros e queria ajudar todos. Porém, nem todos a ajudavam. Sua mãe, a Mulher, não a entendia, assim como seu pai, o Homem. Eles achavam que estava na hora de Menina só pensar em suas responsabilidades perante todos. Casal tinha histórias não superadas ligadas à religião, estavam sempre procurando um refúgio disso. Quando eles conseguiram, se apegaram a isso tão fortemente, que não queriam aceitar nada diferente daquilo. Porém, Menina era uma alma livre, um ser elevado.
Eles começaram a cortar e moldar Menina nos pequenos detalhes, eles queriam que ela entrasse na fôrma de família feliz que lhes cabia. O que eles não sabiam é que Menina era alguém imoldável, ela era quem era. Menina começou a ficar muito triste. Ela percebia que seus pais só queriam seu bem, mas toda vez que ela tentava ser otimista, eles a forçavam um pouco mais a caber na fôrma. Menina tinha várias crises, e não importava quantas vezes Garota a dissesse que ela era maravilhosa daquela forma, ela achava que tinha que, externamente, se adaptar à fôrma.
Os pais de menina, eventualmente, perceberão que o que importa é o interior de cada um, e não adianta todas as pessoas se moldarem de forma bonita, se são feias por dentro. Assim como não se pode ser quem não é, mesmo que se use a fôrma mais rígida de todas. Menina hoje é muito feliz, pois sua forma difusa vaga por aí como veio ao mundo, e sempre que tentam colocá-la de volta em algum enquadramento, Menina flutua por aí, ajudando pessoas e pensando no bem de todos, assim como quando ela era, é e sempre será.
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